Quando falamos de yoga hoje em dia, nossa mente nos remete a várias situações diferentes... ficar parado na mesma posição entoando um mantra... ou somente ficar deitado relaxando... ou o que está mais frequente “acrobacias” ou “contorcionismo”.
Preconceito sobre modalidades de yoga, nos dias de hoje é sem sombra de dúvida um desrespeito aos próprios conceitos tradicionais milenares do yoga. Mesmo por que, todas as práticas partem das raízes tradicionais, e o que diferencia é a maneira que a filosofia é compartilhada e a importância que é dada a ela.
Bom, o que me traz a falar sobre isso é por que quero compartilhar com todos a necessidade de despertarmos nossa consciência para a importância do prana. Seja praticando asanas (posturas), yoganidra (relaxamento), dhyana (meditação), mantra yoga ou mesmo os pranayamas (controle do prana), não podemos ignorar que, qualquer que seja a prática ou modalidade de yoga, a essência de um bom desenvolvimento e conexão com o real e absoluto em nós se deve a consciência do prana, pois sem ele nada do que praticamos seria possível.
O prana, tem seu significado mais conhecido como energia vital, e ele está presente no ar que respiramos. Podemos dizer de forma mais poética que o prana é a alma do elemento ar.
Enquanto o ar alimenta o físico, as células, os tecidos, a circulação, os órgãos - o prana alimenta os chakras, as nadis, a alma. O que na verdade está tudo ligado e todos dependem um do outro.
Por isso, para um bom desenvolvimento pessoal e principalmente para a conexão com o eu real através da prática de yoga, o prana deve ser o objetivo e não uma consequência da respiração.
A seguir incluí um trecho de um artigo escrito pelo Dr. David Frawley (Vamadeva Shastri) que expressa de forma objetiva e clara o que precisamos compreender sobre o prana, e assim, manter essa consciência desperta para uma vida em equilíbrio.
“Tudo quanto existe nos três céus descansa sob o controle do Prana. Como a mãe à sua criança, oh Prana, nos protege dando-nos esplendor e sabedoria. Prashna Upanishad II.13
Para mudar alguma coisa é preciso alterar a energia que cria tal coisa. Este fato é uma realidade na prática de Yoga. Para realizar mudanças positivas no corpo e na mente precisamos entender a energia através da qual mente e corpo operam. Esta energia se chama Prana em sânscrito e significa energia primordial. É também por vezes traduzida como respiração ou força vital, apesar de ser mais do que isso.
Enquanto o assunto Prana é comum no pensamento do yogue e diferentes formas de Prana possam ser abordadas, o entendimento sobre o que é Prana e seus diferentes tipos são raramente visto em profundidade. Por essa razão toda a ciência sobre o Prana, que é vasta e profunda, é raramente compreendida...
...Existe uma antiga estória védica sobre o Prana que encontramos em várias Upanishads. As cinco principais atividades de nossa natureza - a mente, a respiração (prana), a fala, a audição, a visão - discutiam entre si sobre qual delas era a melhor e mais importante. Isso reflete o estado humano ordinário no qual nossas faculdades não estão integradas, mas lutam entre si, competindo para ver quem rege nossa atenção. Para resolver a disputa elas resolvem que cada uma deixaria o corpo para ver qual delas seria mais imprescindível.
A primeira a deixar o corpo foi a fala, mas o corpo continuou a pensar, mudo. Em seguida a visão deixou o corpo, mas ele, cego, continuava a pensar. Em seguida foi a vez da audição, mas o corpo pensava ainda, mesmo surdo. Então a mente se retirou, mas o corpo ainda assim pensava, inconscientemente.
Finalmente o Prana começou a deixar o corpo e então o corpo começou a morrer e todas as outras faculdades começaram a perder energia. Então correram todas para o Prana pedindo que ficasse, exaltando sua supremacia.
Claramente, o Prana venceu a questão. É o Prana que alimenta todas as outras faculdades, sem o qual não podem funcionar. Sem honrar devidamente o Prana, não há nada que possamos fazer e nada com o qual possamos fazer alguma coisa. A moral dessa estória é que a chave para controlar nossas faculdades, está em controlar o Prana.
O Prana tem muitos níveis de funcionamento, da respiração a consciência em si. Prana não é apenas a força vital básica, é a forma mestra de todas as energias operando no nível da mente, vida e corpo. Na verdade o universo inteiro é uma manifestação do prana, que é a o poder criativo original. Até mesmo a kundalini shakti, o poder serpentino que transforma a consciência se desenvolve a partir do Prana desperto...” por Dr. David Frawley (Vamadeva Shastri).
Numa próxima postagem vou compartilhar alguns pranayamas (controle do prana) que nos ajudam a despertar essa consciência e mantê-la manifesta em nossa vida.
A princípio, comece melhorando a qualidade de sua respiração para que a absorção do prana seja o mais pleno possível, ajude sua respiração tornando-a apenas nasal e concentrando-a no movimento diafragmático/abdominal. Canalize o ar diretamente para seus pulmões sentindo que ele percorre todo o caminho das narinas, da traquéia indo direto para os brônquios alimentando seus pulmões. Não deixe o ar passear entre os seios nasais e na caixa torácica. Mantenha o ar concentrado no trajeto direto a seus pulmões que com o tempo você perceberá a qualidade de sua respiração.
Esse é só um início, que com certeza o levará a uma prática saudável e muito equilibrada dessa filosofia em sua vida.
Pratique Yoga!!!
Abraços de Luz...
Sorayah